Sempre tivemos um grande à vontade, para transformar a «frescura» e beleza com que a natureza nos bafejou, em algo megalómano e de gosto, digamos, no mínimo duvidoso!

Frente mar da Estrada Monumental, no Funchal – Hotel Savoy na década de 30. Foto D.R.

Frente mar da Estrada Monumental, no Funchal.
Frente mar da Estrada Monumental, no Funchal – 27 de Julho de 2008.

De acordo com o semanário «Sol» (http://www.sol.pt/), os principais dirigentes do Marítimo foram constituídos arguidos no final da semana passada por decisão do Ministério Público (MP), no âmbito de um inquérito-crime que investiga indícios de fraude fiscal e branqueamento de capitais e que já tem cerca de meia centena de arguidos. Em causa estão pagamentos a jogadores e treinadores do clube madeirense através de empresas sedeadas em off-shores, que não eram declarados ao Fisco e à Segurança Social. Pode-se ler ainda que, «… ao que o SOL apurou, os investigadores suspeitam de que parte dos salários dos profissionais do Marítimo eram pagos como direitos de imagem, sendo os respectivos contratos feitos, por exemplo, com a Arwa Development Inc., empresa ao serviço do Marítimo registada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Estes contratos não eram do conhecimento das autoridades fiscais nacionais, pelo que as quantias que o clube pagava através deles nunca eram declaradas. Nem pelo clube, nem pelos jogadores e treinadores – daí que as investigações atinjam quem pagou e também quem recebeu».
Manuel Cajuda, em 2004, quando treinava o Maritimo.
Manuel Cajuda, em 2004, quando treinava o Marítimo. Foto D.R.
Digo eu, o importante aqui é saber se este tipo de procedimento é prática comum no mundo do futebol… português??? Muito sinceramente, penso que é! Então, porquê só o Marítimo??? E as empresas que constantemente, encontram mil e uma maneiras de ludibriar o fisco? Será que estão realmente a cometer um crime, ou antes pelo contrário, tentam deseperadamente contornar a carga fiscal, cada vez mais pesada para o seu equilíbrio financeiro?
Termino, respondendo à minha própria questão inicial: se na realidade, a grande maioria dos clubes não cometeu este tipo de ilegalidades, então que se apurem responsabilidades, que se leve este caso até às últimas consequências, caso contrário, caso realmente a prática comum seja mesmo esta, pode-se dizer que este será apenas mais um ‘affair’, de que o nosso futebol, infelizmente, está cheio! O meu espanto, a minha admiração, vai para o facto do Ministério Público não ter outros casos mais importantes para investigar – enfim, estamos num país onde o próprio Presidente da República se ocupa de questões menores, esquecendo, ou pelo menos, não dando a devida importância, às principais tormentas dos portugueses…

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